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Mentiras

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Comecei um grande processo de dissecação, joguei para o lado todas as minhas histerias enraizadas no meu cerne, e ali nada encontrei, me faltava essência, decência…

Desnudo, sem rumo, não existiam reações químicas e nem biológicas, e as sinapses eram nulas (tautologia)

Bem ali começava meus desencontros, sem pontos, perdido?

Talvez para ficar perdido, eu precise ter algum rumo, não é mesmo?

São tempos calados, solitários, onde a inexpressão e/ou falta de interpretação comprometem as relações duradouras, se interpreta o que quer, da forma que desejar e assim caminhamos em um mar de discórdia.

Você sente esse frio? É a gente conversando…

Pasme…

Vivemos numa utopia? Numa mentira, numa farsa descarada?

Gritemos aos sete cantos nossa tragédia anunciada, gritemos e falemos que somos humanos imperfeitos, e julguemos sem dó, afinal somos todos os donos da verdade não é mesmo?

Aos prantos comemoremos nossa embriaguez, recheado com doses cavalares de etanol, e digamos sem medo e sem zelo, eu fracassei.

Errei…

As coisas ficam fáceis com alguns estímulos etílicos não é mesmo? Acabaram as máscaras, e até a minha baixíssima serotonina aumentou.

Só que as vezes esquecemos que as palavras machucam, as ações deixam cicatrizes na alma.

Não deu, é fácil dizer que vai fugir, que vai desistir, difícil é pedir desculpas, olhar para o lado e dizer:

– Eu falhei com você, me desculpa?

É melhor sempre julgar sem dó, afinal eu não confio em você… Falei a verdade, e gritei para todos ouvirem que eu vivo dentro de uma mentira.

Vivo nessa bolha, pronta para explodir em qualquer momento, ou no momento que eu julgar conveniente; ou quando eu beber uns pileques e falar pelos cotovelos.

Fracassei, e agora não sei o que vai ser amanhã, quem será a bola da vez?

Se eu não acredito, e nem confio nele, vamos curtir nossa marola.

Tomar nosso “midazolam”, nosso soro da verdade, ou talvez simplifiquemos tudo com uns goles da marvada…

Afinal, não vivemos numa mentira?
Essa é a realidade, o cotidiano, a vida real…

Viver, e curtir as delicias de julgar, desacreditar e não confiar…

Afinal, somos todos imutáveis, não é mesmo?

Mentirosos…

Que esperança supere toda a desconfiança e que partimos dentro de um conceito básico que a eternidade é logo ali…

Parafraseando alguns fragmentos do Livro do Jovem Kardec: “O Evangelho Segundo o Espiritismo”

“Atire-lhe a primeira pedra aquele que estiver isento de pecado”, disse Jesus. Essa sentença faz da indulgência um dever para nós outros, porque ninguém há que não necessite, para si próprio, de indulgência.
Ela nos ensina que não devemos julgar com mais severidade os outros, do que nos julgamos a nós mesmos, nem condenar em outrem aquilo de que nos absolvemos. Antes de profligarmos a alguém uma falta, vejamos se a mesma censura não nos pode ser feita.

O Evangelho Segundo o Espiritismo

Que o amor seja soberano e cura de todas as mazelas do mundo…

Autor: Gustavo Rugila

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