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Eu não sou daqui…

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Dentro das ruínas das perdições noturnas, me descamo ao meio dos transeuntes, a euforia era excitante o clima deslumbrante, porém não me encontrava ali, apenas estava presente, e a mente vacilante se perdia nas batidas das músicas e na torpeza das reações bioquímicas diversas que ali se difundiam.

E sem respostas eu ali me perdia, e me reencontrava no meu “antigo” eu, dentro dos meus clichês curtindo a solidão ao meio da multidão.

As tribos se misturavam para alcançar um único objetivo que era se divertir, curtir, ao meio da libertinagem etílica, os excessos inerentes desses abusos libertava o que tinha de “melhor” em cada um.

Rins, estômago, coração, fígado e cérebro dançavam alucinantemente ao meio da fanfarra, alguns esboçavam sono excessivo, juntamente com aquela típica fala arrastada, porém ali todos éramos iguais.

Talvez não tão igual, pelo menos para mim, que ali estava curtindo um momento “sênior” ao meio de tantos “juniores”, porém isso não me fazia um vencedor (um rapaz/homem experiente), pelo contrário ali revivia a sordidez dos meus momentos mais nefastos.

Afinal, o que eu estava fazendo ali mesmo?

Já nem me lembrava as tantas, as reações bioquímicas já começavam a cobrar o que lhe era de direito, apagões aleatórios.

Onde eu fui parar?

Era só instinto, já não me reconhecia, já não era eu que respondia, e sim meus tantos instintos, e as necessidades fisiológicas.

E eu, já não me reconhecia…

Contudo, eu revivia o passado, e percebia que nada tinha mudado, o álcool e suas moléculas eram os mesmos combustíveis da perdição, e os trocentos “nãos” bem cabidos só me remetiam as lembranças dos fracassos descompassados de outras festas sem fim.

Não é não!

E essa palavra só me fazia titubear, e lembrar, que eu nunca fui um galã global, e sim uma pessoa razoavelmente comum ao meio dos carinhas que contabilizavam beijos e tantas ficadas ao meio do cupido etílico.

São lições que você leva para vida…

Ou você é, ou você não é…

E nessa minha caminhada terrena parceiro eu nunca fui e nunca serei…

A grande sacada, o pulo do gato é que eu estou aprendendo revivendo 12 anos dessa eterna recessão, que amargo desde minhas primeiras paixões platônicas ali vividas e sofridas no famigerado ensino fundamental.

Tudo isso é muito bom e faz a gente lembrar o que a gente realmente é…

Ou melhor, o que a gente nunca vai ser…

E a sensação do momento é sentir, será que realmente eu faço parte desse planeta?

Terminamos com Odair José: “Eu Vou Tirar Você Desse Lugar”.

Autor: Gustavo Rugila

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